Que vexame!

A eliminação do Corinthians ontem para a fraquíssima equipe do Tolima é tão vexatória quanto a derrota do Internacional ano passado para o Mazembe. Pela primeira vez uma equipe brasileira foi eliminada na pré – Libertadores e não foi para um time argentino, uruguaio ou mexicano, mas para o Tolima da Colômbia!

Fica muito fácil meter o pau no treinador e nos jogadores após o resultado de derrota, mas a forma como Tite escalou a equipe e o modo de despreocupação dos jogadores não pode passar em branco. O Corinthians fez uma exibição irritante, sem acertar passes, sem garra na marcação, utilizando uma linha burra de impedimento que não deu certo em nenhum momento do jogo (como já não havia dado certo no Pacaembú, há uma semana atrás) e sem chutes ao gol. Só no primeiro tempo o time de Parque São Jorge já merecia ter tomado pelo menos uns três gols. Quis o destino que o vexame maior acontecesse no segundo tempo.

Ronaldo após o vexame de ontem

Tite deve ter dado uma bronca grande no intervalo. O time voltou mais ligado, acertando passes e finalizando no gol, mas ele manteve Bruno César, o único armador do Timão, no banco e o time continuou a depender de um Ronaldo sem preparo físico e que não teve uma boa atuação sequer neste ano. Deu no que deu. O Tolima aproveitou a falta de comprometimento do treinador e dos jogadores e com muita facilidade fez 2 a 0.

Outro erro de Tite foi ter lançado o peruano Ramírez no jogo. O jogador havia feito uma ótima estréia e colocá-lo em campo da forma como o Corinthians jogava só queimaria ele. Foi o que aconteceu. Com menos de cinco minutos em campo, Ramírez perdeu a cabeça, deu uma cotovelada no adversário e  foi expulso, lembrando Roger, o lateral esquerdo do Corinthians daquele fatídico jogo contra o River Plate.

Agora não adianta chorar, nem lamentar, nem pedir perdão. A coisa que mais intriga a torcida corintiana é falta de vontade e agora o time vai pagar. Quero deixar claro que sou contra violência, pixações e vandalismos, mas também será duro ouvir Ronaldo dizendo que é melhor parar porque a torcida é isso ou aquilo, ou Roberto Carlos dizendo que na Europa não é assim. Erraram, agora aguentem as críticas.

Não gosto de trocas de treinadores, mas Tite não tem mais ambiente para ser treinador do Corinthians. Tirar Bruno César do time com a desculpa de que ele não vinha bem, em uma temporada que ninguém está bem, foi o estopim.

Paulista e Brasileirão. São essas competições que restaram ao Timão. Para o bem do futebol e principalmente para o bem de Roberto Carlos, Ronaldo e Andrés Sanchez, é bom o Corinthians vencer uma das competições. Com essa equipe e a forma como ela vem jogando é impossível. Só contratações e garra podem mudar o rumo do futuro corintiano em 2011.

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Ronaldinho Gaúcho e seu “agente”

Nenhum jogador causou tanto furor (tanto no sentido de fúria, quanto no sentido de grande entusiasmo) quanto Ronaldinho Gaúcho em sua volta para o Brasil. O jogador que já foi melhor do mundo duas vezes foi disputado, em forma de leilão, por grandes clubes como Flamengo, Grêmio e Palmeiras.

Assis, seu agente e irmão, conversou com vários presidentes, deu várias respostas, gerou ira em quase todo mundo e acabou cedendo à proposta do Flamengo, a única que lhe restou. Na verdade, Assis quis aparecer mais do que o próprio irmão e acabou manchando ainda mais a imagem do jogador, que já foi ídolo e hoje é uma incógnita.

Ronaldinho Gaúcho ao lado de seu irmão e "agente", Assis

O presidente do Grêmio culpa o agente de ter melado o negócio. A mesma desculpa é dada pelos dirigentes palmeirenses. Será que a vontade de Ronaldinho Gaúcho não deveria ser levada em conta?

A atitude de Assis nos faz voltar a discutir se o empresário, o agente é realmente importante para o jogador. Será que muitos deles não são apenas papagaios de pirata? A maioria dos agentes não conseguem entender que o astro é o jogador e não eles.

Ronaldinho escreveu no twitter que se dependesse dele, ele jogaria no Grêmio. A proposta aconteceu, mas ele foi para o Flamengo. Mudou de ideia? Não! Ronaldinho foi para o clube que seu irmão indicou como o melhor, ou o único que não se irritou com o leilão promovido por Assis.

Perguntado na apresentação de Ronaldinho se seu irmão estava indo para o clube que escolheu, Assis desconversou.

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A unificação dos títulos de campeão brasileiro

A maior discussão do futebol brasileiro, desde o término do campeonato nacional é a decisão da Confederação brasileira de futebol, a CBF, de unificar os campeões da taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, realizados de 1959 até 1971, como campeões brasileiros. Na verdade, a CBF apenas acolheu um pedido de anos feito por vários clubes campeões desses campeonatos. Para que o pedido fosse aceito, foi necessário que o jornalista e pesquisador Odir Cunha fizesse uma pesquisa e trouxesse números e depoimentos que mostrassem que a Taça Brasil e o Roberto Gomes Pedrosa eram os únicos campeonatos nacionais da época e, portanto, teriam de ser considerados Campeonatos Brasileiros. Vários jogadores e dirigentes da época foram ouvidos e o chefão da CBF, o presidente Ricardo Teixeira se rendeu ao estudo.

Na minha opinião, que não vale muito, afinal eu não vivi o período de 1959 a 1971, a atitude da CBF foi corretíssima. Não dar valor aos títulos conquistados por Bahia, Santos, Palmeiras, Cruzeiro,Botafogo e Fluminense é fingir que o passado não existiu e cometer o grande erro de não valorizar grandes equipes como o Santos da década de 60, considerado o melhor time da história do futebol.

O meu medo é que daqui há 40, 50 anos meus netos e bisnetos ouçam eu contar do grande time do Corinthians, campeão do brasileiro de 1999, ou do São Paulo tricampeão brasileiro (2006-2008) e venham dizer – Mas faz tanto tempo vovô, já não tem mais importância. E se daqui há 10 anos lançar outro tipo de campeonato nacional? Corinthians, Vasco, São Paulo, entre outros não serão mais considerados campeões nacionais?

Pelé posa com suas seis medalhas de campeão brasileiro

É claro que não podemos deixar de falar da importância de cada título. O futebol brasileiro surgiu do regionalismo e até pelo menos a década de 80, o campeonato estadual era levado mais em conta do que o nacional, o que não tira os méritos dos campeões brasileiros desse período. É claro que o Palmeiras supercampeão paulista de 1959 era muito mais ovacionado do que o Bahia, campeão da Taça Brasil do mesmo ano, tamanha a importância do título estadual. Porém, se hoje o título estadual não tem a mesma força e o nacional é o maior título então temos que desvalorizar o Santos, campeão paulista de 2010 dando show e goleando vários jogos? CLARO QUE NÃO! Título é título e torcida nenhuma tem que desvalorizar.

Também não acho que santistas, palmeirenses, cruzeirenses e outros torcedores beneficiados com a unificação têm de comemorar, afinal, os títulos já foram comemorados e muito. Faz tempo, mas aconteceu e isso ninguém deve esquecer pelo bem do futebol, dos craques e da história de um país onde o futebol é a coisa mais importante das coisas menos importantes.

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Complexo do Alemão – o lado que a imprensa não mostrou

É impossível ficar sem falar nada sobre o que está acontecendo no Rio de Janeiro. A tomada do poder pela polícia é vista por quase todos e principalmente pela imprensa, como uma das ações mais heróicas dos últimos tempos. Se para muitos, Capitão Nascimento, do filme Tropa de Elite, é o heroi brasileiro, então temos que dizer que os ensinamentos dele chegou até ao BOPE, até a polícia civil, federal e ao poder público.

O traficante Zeu sendo exibido como um troféu pela polícia e pela imprensa

É claro que quando conseguimos combater o tráfico, prender traficantes influentes, e trazer a paz para as favelas do Complexo do Alemão temos que comemorar e elogiar a todos que cooperaram na operação. Até aqui, tudo o que a polícia fez e foi divulgado na mídia está perfeito. Os moradores da favela estão felizes e várias toneladas de drogas, que poderiam chegar na mão de jovens viciados e enriquecer criminosos, foram encontradas e, agora, o prejuízo é apenas dos traficantes. É difícil achar alguma desvantagem nessa história, mas como tudo o que acontece no mundo, existe o lado ruim.

Para tirar o poder dos traficantes foi necessário o uso de armas de fogo, bombas, helicópteros.Quem dizia que o Brasil não entrava em guerra agora tem que mudar de opinião. Mostramos não só para os traficantes, mas para o mundo inteiro, que a guerra no Brasil acontece entre brasileiros e o tráfico de drogas é o vilão a ser combatido. Além de sermos tratados com desconfiança pelos outros países, como a Espanha que usou o episódio para protestar contra a escolha da sede das Olimpíadas de 2016, na qual Madri foi derrotada, temos que assumir que o erro não vem de fora, mas daqui de dentro mesmo e a única forma de combater é matando. Ou vocês acham que ninguém morreu nesse episódio? É lógico que vários bandidos foram mortos pela polícia, mas esses erraram e optaram por uma vida difícil, mas o que provavelmente aconteceu e nenhum veículo noticioso falou, seja ele online, impresso ou televisivo, é que várias pessoas inocentes morerram por balas perdidas ou por traficantes que queriam impor respeito aos policiais.

O lado ruim do episódio não é mostrado pela imprensa. Por outro lado, um traficante preso é exibido como um troféu da polícia, na maior falta de respeito com um homem, que sendo criminoso ou não, tem o seu direito de se defender. Quem julga é a justiça, nunca a polícia e principalmente a imprensa.

Li, há poucos dias atrás, o livro Bar Bodega – um crime de imprensa, do repórter Carlos Dorneles. Ao final do livro, que conta a vergonhosa história do que foi o assassinato e de duas pessoas no Bar Bodega em São Pualo e atuação da polícia e da imprensa após o crime, Carlos Dorneles deixa uma frase que deveria ser ouvida por todos que querem saber os dois lados do episódio no Rio. “Se há uma fantasia maior, uma mentira mais poderosa, um mitomais vulgar, é o de que a imprensa só retrata”. Além de opinar e decidir, a imprensa ainda deixa de retratar os dois lados.

Tomem cuidado com tudo o que você lê, vê e ouve. Procure sempre pesquisar e entender os problemas antes de acreditar na imprensa, que apesar de ter respaldo, é falha.

Recomendação de leituras

O Abusado, o dono do morro Dona Marta – Caco Barcellos – Editora Record

Rota 66 – a história da polícia que mata – Caco Barcellos – Editora Record

Bar Bodega, um crime de imprensa – Carlos Dorneles – Editora Globo



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O amor não correspondido

Falar de amor é a tarefa mais difícil que existe. Nada é mais subjetivo do que esse sentimento que indica o gostar, seja da maneira que você quiser. É possível amar sua mãe, seu irmão, seu vizinho, seu animal de estimação, sua profissão, seu chefe e até a sua casa. Esse tipo de amor é comum, faz bem e nos ajuda a levar a vida de uma maneira mais suave e prazerosa. O grande problema é o outro tipo de amor. Aquele tipo que Camões chamou de “fogo que arde sem se ver, ferida que dói e não se sente, contentamento desconte, dor que desatina sem doer”. Com esse tipo de amor a gente sofre e muito, principalmente quando ele não é correspondido.

Tudo começa na infância. Você ainda não diz gostar de alguém da sala, mas já acha que tal amiga ou amigo poderia ser pelo menos alguma coisa a mais. Vem a adolescência e a vergonha de beijar na boca ou de assumir uma paixão por outra pessoa não existe mais. É nesse momento que enfrentamos nossa primeira crise de amor e o nosso primeiro amor não correspondido. Ainda somos ingênuos e imaturos para entender porque isso acontece, perguntas como Por quê ela não gosta de mim, se eu gosto tanto dela? e O quê será que falta em mim? são comuns e as respostas não virão nem quando a fase adulta chegar. Alguns choram, outros brigam, outros tentam esquecer, outros preferem ler poesias e ouvir músicas, mas todos sofrem!

"O amor é fogo que arde sem se ver", frase eterna de Luís de Camões

Por tudo isso, não culpo as pessoas que sofrem por amor, mas tenho ódio das pessoas que fazem essas pessoas sofrer. Não quero dizer que todo mundo é obrigado a amar quem lhe ame, isso é impossível e tiraria toda a graça da conquista. Tenho ódio das pessoas que sabem que estão sendo amadas, que não vai acontecer nada entre os dois e mesmo assim abusa ou usa desse amor para o bem próprio. Quem está amando fica tão cego que não percebe que está sendo usado e se sente bem só de ajudar sua amada ou seu amado. A simples lembrança nas horas difíceis já servem como conforto para quem ama de verdade, gerando uma falsa esperança de que um dia poderá ter aquela moça ou aquele moço só para si. Porém, ao contrário do que muitos dizem, o amor tem fim, principalmente quando é maltratado e, nesses casos, terminam da pior forma possível. Brigas, desapontamento e ódio são apenas alguns dos sentimentos que serão carregados. Se antes quem amava via sua amada ou amado como amiga ou amigo, agora verá como inimigo, ou traidor, não deixando de ter razão.

Pessoas que roubam sentimentos dos outros são mais bandidas do que as que roubam jóias ou carros. Objetos pessoais são conquistados de novo, mesmo que, para isso, seja necessário muito esforço. Sentimento não é assim. O rancor não permite que o perdão sentimental seja dado. Dessa forma, é bem melhor deixar claro as intenções logo no primeiro momento, para que o amor NÃO correspondido não se torne um amor MAL correspondido (e por quê não MAU correspondido?).

Cuidado com o amor, ele é muito bom, mas se transforma em ódio quando maltratado. Não tenha medo dos amores NÃO correspondidos, mas evite ao máximo os amores MAL correspondidos.

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A sustentabilidade insustentável

Nestas últimas eleições o assunto sustentabilidade veio à tona como nunca tinha vindo. Tivemos até uma candidata que colocava a palavra “sustentabilidade” como sua principal campanha de governo e maior arma para atacar os outros candidatos. O partido dessa candidata cresceu de uma forma tão surpreendente como foi o PT de Lula nas eleições de 1989, mesmo assim, a “sustentabilidade” tão colocada e defendida nesse ano não foi suficiente para que Marina Silva (PV) pudesse se eleger presidente do país, mas fez com que ela convencesse 20 milhões de brasileiros, número que nem ela mesmo esperava. Não podemos mais negar, a sustentabilidade já é um tema relevante para os brasileiros.

Não tenho nada contra Marina Silva, acho que ela foi uma das melhores ministras do governo Lula e a melhor ministra do meio ambiente da história. Com ela, as leis ambientais foram mais rígidas e a fiscalização mais intensa.  Admirei a atitude tomada por ela ao deixar o ministério por divergir das ideias do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento) em relação ao um desenvolvimento que atinja as áreas ambientais. Entretanto, não posso deixar de criticar a promessa de um desenvolvimento sustentável sem deixar claro para os eleitores o custo de tudo isso.

A candidata da sustentabilidade

É claro que o ideal é que um país emergente, como dizem ser o nosso, se desenvolva agredindo menos possível ao meio ambiente, mas é necessário que as pessoas saibam que o custo para isso acontecer é bem maior. Assim como uma verdura hidropônica é mais cara do que uma verdura plantada da maneira natural, a energia verde também é mais cara do que a energia convencional (Tenho certeza que quem ler isso vai achar que o é óbvio e o custo benefício compensa, mas eu digo que não, pois o que está em jogo é dinheiro e hoje, isso ainda é mais importante para as pessoas do que a preservação da natureza).

O ser humano visa o lucro sempre e isso não vai mudar de um dia para o outro, muito menos em um país em desenvolvimento. Queremos o que é melhor e mais barato hoje, não pensamos no futuro. É claro que não podemos utilizar o pensamento mesquinho de que a Europa desmatou tudo, se desenvolveu e agora é a nossa vez, eles que se virem para resolver os problemas ambientais. Temos que fazer nossa parte, mas em primeiro lugar, temos que criar soluções para que o desenvolvimento sustentável seja pelo menos do mesmo preço que  qualquer outro tipo de desenvolvimento. Só assim a maioria da população (não apenas 20% dela) brigará e exigirá que o meio ambiente seja levado em consideração pelo governante.

Marina Silva usou de uma ideia já criada antes, a ideia de que a sustentabilidade é a solução para todos os problemas, mas esqueceu, ou simplesmente evitou de falar dos custos de tudo isso. Talvez, se ela falasse, não atrairia tantos votos, nem teria o apoio do vice Guilherme Leal, presidente da Natura, uma empresa que usa do meio ambiente para ganhar dinheiro.

A sustentabilidade oferecida hoje é insustentável para o bolso do brasileiro. Ou se criam outros métodos sustentáveis e baratos, ou o Brasil continuará no mesmo ritmo de desenvolvimento e pensamento.

 

 

 

LINKS – http://economia.ig.com.br/empresas/infraestrutura/alto+custo+dificulta+venda+de+energia+verde/n1237826046496.html

– http://www.agsolve.com.br/noticia.php?cod=1571

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Irreverência e independência

A banda Velhas Virgens permanece viva no sucesso nacional graças as suas letras e shows irreverentes

Com mais de 20 anos de sucesso, a banda Velhas Virgens, de São Paulo, vem provando a cada dia que é possível seguir em frente mesmo sem uma gravadora tocando um repertório que vai do romantismo ao “escracho” total. É hoje a maior banda independente do Brasil, segundo o próprio Rank Brasil, site que divulga os recordes brasileiros. Seus dez CDs já venderam mais de 150 mil cópias. Além disso, a Velhas Virgens também divulga seu trabalho por meio de uma grife e uma editora que publica histórias em quadrinhos da própria. “As criações de uma grife com roupas da banda e histórias em quadrinhos foram necessárias para que pudéssemos ter um contato maior com nossos fãs. Somos uma banda independente, temos que saber como ganhar dinheiro com nossas próprias ideias”, diz o guitarrista Alexandre Cavalo, de 42 anos.

A banda começou a tocar com outro nome, Beba cerveja e seus copos quebrados,mas o nome não caiu bem na visão dos integrantes e assim, no mesmo ano de 1986, passou a ter o nome que carrega até hoje. A formação mudou várias vezes até chegar à formação atual, que conta com Roy Carlini na guitarra, Tuca Paiva no contra – baixo, Simon Brow na bateria, Juju no vocal, além de Paulão de Carvalho (vocalista) e Alexandre Cavalo (guitarrista) que estão desde o começo. “Não dá para largar! A Velhas Virgens é um sonho que foi realizado. Quando eu conheci o Cavalo e nós começamos a tocar não esperávamos que pudéssemos alcançar o sucesso da forma como atingimos”, diz Paulão (44).

A escolha pela independência não era algo planejado no início. O que a Velhas Virgens queria era tocar para os paulistanos suas letras irreverentes e mostrar que o rock n’roll podia trazer coisas totalmente diferentes do que era trazido pelos outros ritmos. “Fomos influenciados por Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Rita Lee, entre outros. Esse pessoal fazia um som de verdade, falavam o que queriam, criticavam o governo e mesmo assim o público gostava! Esse era o verdadeiro rock n’ roll nacional”, afirma o vocalista. Mas a Velhas Virgens não conseguiu o mesmo espaço nas gravadoras que essas outras bandas. “Nenhuma gravadora do Brasil dá espaço para uma banda que fala palavrões, de sexo e bebidas. É uma pena, porque cantamos sobre o que todos falam, mas não escutam nas rádios”, reclama Paulão. Após ouvir vários “não” das gravadoras restou apenas uma solução, a independência. “Ser independente é legal, apesar de não ter sido nossa proposta no começo, foi o que sobrou mesmo. Acho que no final das contas acabou sendo melhor para a banda”, afirma Alexandre Cavalo.

Os músicos deixam claro que ser independente não é apenas montar uma banda e sair criticando as gravadoras, mas saber aceitar as ajudas externas desde que não sejam feitas imposições absurdas. Deve-se trabalhar muito pela banda, não desperdiçar as oportunidades de shows seja onde e para quem for. “Show é fundamental, nunca se deve negá-lo porque está com preguiça. É só com ele que a banda mostrará seu verdadeiro trabalho e acumulará fãs. A internet também está aí para ajudar todo mundo. É o meio de comunicação mais democrático, então também pode ajudar a banda. Acredito que sem internet é impossível fazer sucesso hoje”, diz ele.

Mas a história da Velhas Virgens não foi construída apenas com trabalho. Brigas entre integrantes existem e é preciso contorná-las. “Vários músicos já deixaram a banda, uns porque não estavam mais interessados na vida dura que a gente leva, alguns porque tinham outra expectativa e outras por motivo de briga mesmo. É normal. Quando isso acontece temos que nos fortalecer ainda mais e saber escolher um substituto a altura de quem está saindo” conta Cavalo.

Integrantes da banda 

Palavrão e sexo é baixaria?

A Velhas Virgens já foi acusada várias vezes por ser uma banda que só fala de palavrões, de sexo e de bebidas, mas talvez seja isso que tenha feito de suas letras tão engraçadas e realistas. “Agora você vem pedindo mais e eu sabia que ia ser assim, uma noitada daquelas não se esquece jamais e eu te dei o melhor de mim”. Esse trecho de uma das canções da banda realça bem a mensagem que eles querem passar. “O que tocamos é tudo fora de moda. Ao mesmo tempo é tudo que todo mundo queria ouvir. Quem falar que não gosta de uma letra que fala da relação de marido e mulher, do desejo do homem por sexo e bebida está mentindo ou sendo induzido a mentir. Palavrão também não é uma coisa feia, apenas é preciso ser dito da forma certa. A Velhas Virgens não está xingando o seu público, está apenas criticando a mídia, o governo, a atitude das mulheres com os homens e até as atitudes dos homens com as mulheres. Não é disso que as pessoas conversam no cotidiano?”. A frase de Paulão mostra a diferença para as outras bandas. Eles não estão preocupados em agradar a imprensa ou os mais poderosos, o que eles querem é apenas agradar o seu público. “Quem vai ao show, compra CD e nossas camisetas são nossos fãs e não os governantes”, continua Paulão.

Apesar das criticas presentes na música da Velhas Virgens, muitas letras falam apenas de amor ou um acontecimento, “acabaram as canções, nem estrelas pra contar e eu continuo esperando a mulher que não vai mais voltar”. O trecho mostra que nem tudo na canção da Velhas Virgens é sexo, bebida e palavrão. Para o vocalista da banda “Bêbado também tem sentimentos. Bêbado também ama”, então não faz sentido que ele cante apenas críticas no palco.

Críticas, amor e diversão. Essas três palavras podem resumir a história da maior banda independente do Brasil.

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